Sobre e Metodologia
Como o Placar Político funciona e o que medimos.
Sobre o projeto
O objetivo principal do Placar Político é facilitar a compreensão do povo brasileiro sobre a atividade parlamentar. O eleitor vota a cada quatro anos sem ter, no dia da eleição, um retrato confiável do que cada candidato fez no mandato anterior. A informação existe, mas está fragmentada em dezenas de portais oficiais, com nomes técnicos e de difícil compreensão. Nós reunimos, organizamos e traduzimos esses dados pra qualquer cidadão entender.
O Placar Político é uma plataforma independente que mede, com nota de 1 a 99, o desempenho de cada deputado federal a partir de dados oficiais públicos da Câmara dos Deputados e do Portal da Transparência, sem ter o sigilo de nenhuma figura pública violado. As notas geram uma tabela comparativa entre todos os parlamentares (geral, por UF, por partido), e cada deputado tem uma ficha completa com nota geral e nota por categoria.
Em cinco das seis categorias (Presença, Produtividade, Influência, Economia de Despesas, Emendas) o projeto não emite juízo de valor, apenas mede e compara. Em Atuação em Votações, o Placar Político assume posição editorial declarada em cada pauta-chave, com critério documentado em cada votação, e o parlamentar ganha ou perde pontos pelo alinhamento. Quem discorda do critério tem todos os dados brutos disponíveis pra construir a própria leitura.
Nossa metodologia se apoia em princípios amplamente debatidos na sociedade brasileira:
- Responsabilidade no uso de recursos públicos
- Defesa das liberdades e garantias fundamentais
- Combate ao crime e à corrupção
- Proteção institucional do Estado Democrático de Direito
- Desenvolvimento econômico e social
- Redução das desigualdades e proteção dos mais vulneráveis
- Valorização do trabalho, da produtividade e do empreendedorismo
A interpretação final é do cidadão.
O que a nota não captura
A nota é construída a partir de dados oficiais e mensuráveis: votos registrados, presenças assinadas, proposições apresentadas, despesas declaradas no portal da Câmara. Por isso, ela enxerga bem o lado visível do mandato, mas existe um lado invisível que nenhum dado público consegue medir.
- Articulação de bastidores: conversas em gabinete, negociações de texto, costuras com a Mesa e com o Senado. Boa parte da política acontece antes do voto, e isso não aparece em ata.
- Liderança política informal: quem influencia uma bancada sem ocupar cargo formal, quem orienta voto por mensagem, quem decide pauta de comissão sem assinar relatoria. A nota só lê o que está escrito.
- Cargos fora da Câmara: parlamentares licenciados para ocupar ministério, secretaria estadual, ou cargo no Executivo aparecem com baixa atividade legislativa, mas podem estar entregando trabalho de outra natureza.
- Trabalho de gabinete e base: atendimento a prefeituras, articulação local, audiências com eleitores, mediação de demandas regionais. Tudo isso existe e não tem como ser medido por API.
- Qualidade subjetiva do voto: um deputado pode ter votado a favor de uma pauta progressista por pressão da bancada, e contra por convicção. A nota lê o resultado, não a intenção.
A leitura honesta dos dados é a seguinte: a nota é um indicador objetivo do trabalho mensurável, não a verdade absoluta sobre o parlamentar. Para casos limítrofes, ou quando a nota parecer divergir do que se conhece sobre o deputado, vale buscar o contexto em outras fontes.
Como a nota é calculada
Os dados utilizados são públicos e vêm das APIs e do site oficial da Câmara dos Deputados e do Portal da Transparência.
A nota final de cada parlamentar (escala 1 a 99) é a soma ponderada de seis categorias. Cada categoria tem peso fixo na fórmula:
Pesos da fórmula
- Votações é a maior indicação de como o parlamentar atua: a que interesses ele serve, com quais pautas se alinha e como o seu voto define a aprovação ou rejeição de cada legislação.
- Produtividade mostra se há trabalho acontecendo, mas sozinha não atesta a sua qualidade.
- Influência indica o impacto real do parlamentar dentro da Câmara, em cargos de liderança e em decisões estruturantes.
- Emendas mede quanto do dinheiro público vira ação concreta para a sociedade.
- Presença é o básico: estar lá e trabalhar conta.
- Economia tem peso menor porque gastar não é ruim se vier com produtividade. O pior cenário é economizar sem entregar nada.
Detalhamento por categoria
Clique em cada categoria para abrir a fórmula.
Votações· 25%›
Mede o alinhamento do parlamentar com pautas estruturantes em votações-chave da legislatura.
Selecionamos as votações de maior impacto da legislatura em temas como trabalho, empreendedorismo, liberdades individuais, segurança pública, proteção dos vulneráveis e combate à corrupção. Cada votação tem um sentido (a favor ou contra a pauta).
O parlamentar acumula pontos por voto, autoria e relatoria, conforme a tabela abaixo. O saldo é normalizado para a escala 1 a 99, com 50 representando posição neutra (zero pontos).
Produtividade· 20%›
Mede o trabalho legislativo concreto: proposições, relatorias, emendas, fiscalização e atividades parlamentares.
Cada macroindicador é primeiro normalizado contra a mediana da Câmara e depois agregado pelos pesos acima.
Dentro de cada macro, os subtipos de proposição têm fatores diferentes para refletir a complexidade do trabalho. Em LEG, uma PEC vale 4× mais que um PL comum. Em FIS, uma CPI (RCP) vale 3×, e convocações de ministro valem o mesmo que um PL. Detalhes na tabela abaixo.
Apenas proposições de autoria principal contam para Produtividade. Coautorias não pontuam aqui: são contabilizadas em Influência, porque sinalizam apoio político, não produção legislativa de fato. Toda proposição apresentada pontua conforme o peso do seu tipo, aprovada ou não; as efetivamente aprovadas (transformadas em lei ou ato normativo) pesam bem mais, somando pontos extras pelo volume aprovado e pela taxa de aprovação do parlamentar.
Presença· 15%›
Mede o comparecimento do parlamentar ao plenário e às comissões.
Plenário pesa mais que comissões (60% contra 40%) por dois motivos: é onde acontecem as votações que decidem a pauta de fato (PLs, PECs, MPs), e a participação é obrigatória para todos os deputados. Comissões variam muito por área e cada deputado costuma participar de poucas, o que torna o número menos comparável entre parlamentares.
A nota bruta é multiplicada pela cobertura, que é a proporção do mandato em que o deputado esteve efetivamente em exercício. Afastamentos legítimos (licença, missão oficial, suplência) não penalizam: apenas reduzem o período avaliado.
Quem está no topo entra em uma cauda linear até o teto de 99 pontos.
Influência· 15%›
Mede a posição do parlamentar dentro da estrutura da Câmara, combinando cargos de liderança, discursos no plenário e aprovações como autor ou relator.
A nota combina três dimensões: cargos de liderança (40%), discursos no plenário (30%) e aprovações como autor ou relator (30%). Os 40% reservados pra cargos refletem a ênfase no peso institucional. Quem ocupa posições de liderança tem influência direta no andamento das pautas, comissões e bancadas.
Diferente de Produtividade, Influência conta autoria principal E coautoria: coautoria sinaliza articulação política e apoio a pautas, mesmo quando o deputado não é o protagonista. Também conta proposições em tramitação, não só aprovadas, porque a influência se exerce em todo o ciclo legislativo (apresentar, costurar apoio, presidir, relatar). É propositalmente um critério mais inclusivo que Produtividade.
Cada cargo contribui com um peso base multiplicado pelo tempo de exercício no mandato (0 a 1). Um Presidente de comissão por 12 meses pontua 12× mais do que um por 1 mês. A presidência da Câmara recebe um bônus fixo de 1,25 ao ser exercida, refletindo o impacto binário do cargo.
Discursos no plenário contam por raiz quadrada. Quem fala 100 vezes pontua 10× mais do que quem fala 1 vez, mas só 3,16× mais do que quem fala 10. Limita o efeito de quantidade pura.
Nota metodológica sobre discursos: a contagem vem da API de Dados Abertos da Câmara e considera apenas discursos efetivamente proferidos: textos apenas protocolados por escrito ("discursos encaminhados", que constam do Diário mas não foram discursados) ficam de fora. Nossa contagem pode ser maior que o contador exibido no site da Câmara: o site busca pelo nome do orador e perde períodos quando o nome parlamentar muda ao longo do mandato. Cada discurso contado é auditável, um a um, no Diário da Câmara dos Deputados.
Aprovações como autor ou relator somam pontos fixos, conforme a segunda tabela abaixo. Relatorias de PEC e Lei valem mais do que requerimentos simples.
O decaimento se aplica a mandatos anteriores. A nota bruta do mandato anterior mais recente entra com peso 1/2; o segundo mais recente com 1/4; o terceiro com 1/8, e assim por diante. Valoriza experiência sem permitir que mandatos antigos dominem a nota atual.
Emendas· 15%›
Mede o volume e a execução de emendas parlamentares individuais.
Os pesos refletem que volume e execução pesam juntos. Quantidade tem peso menor (30%) porque muitas emendas pequenas, sozinhas, não indicam impacto real - é preciso que os recursos cheguem ao destino. Por outro lado, valor alto concentrado em pouquíssimas emendas pode indicar pouca diversidade de temas e regiões atendidas.
Os 35% para empenho e 35% para execução medem dois momentos do dinheiro: o que o governo se comprometeu a gastar (empenhado) e o que efetivamente saiu do caixa (pago + restos a pagar pagos).
O resultado passa por sigmoide assimétrica: a curva é mais íngreme acima da mediana, refletindo o salto de impacto entre parlamentares de volume médio e os de alto volume.
Emendas PIX (transferências especiais) são acompanhadas separadamente na ficha do parlamentar por terem rastreabilidade limitada, mas não entram na fórmula da nota de Emendas. Não há punição na nota por valor ou quantidade de PIX.
Economia· 10%›
Mede o uso responsável dos recursos públicos disponibilizados ao parlamentar.
CEAP pesa muito mais que Verba de Gabinete por causa da diferença de tamanho e de discricionariedade entre os dois orçamentos. A CEAP (cota para atividade parlamentar) gira em torno de R$ 30 mil a R$ 45 mil por mês por deputado, e cobre despesas como combustível, divulgação, escritório, hospedagem e passagens. É onde estão as escolhas reais do parlamentar.
A Verba de Gabinete é destinada à folha da equipe do deputado e tem uso muito mais previsível e restrito. Sobra pouca margem para economizar, e o saldo final tende a ser parecido entre parlamentares.
A nota é proporcional ao saldo entre o teto disponível e o gasto efetivo. Despesas legítimas dentro do teto não penalizam: a métrica recompensa quem economiza.
Detalhamento por categoria de despesa (combustível, divulgação, escritório, hospedagem, telefonia, passagens, veículos) está disponível na ficha do parlamentar.
Quando não há dados de Verba de Gabinete (legislaturas antigas), CEAP responde por 100%.
Parlamentares elegíveis
Para entrar na tabela comparativa e nas medianas que servem de referência (top 5%, P95, médias de partido, destaques), o parlamentar precisa ter exercido o mandato por um mínimo de tempo. Quem ficou menos do que isso é mantido na ficha individual com nome, foto e partido, mas com a marcação dados insuficientes em vez da nota.
Dias de exercício somam os períodos em que o parlamentar esteve em Exercício efetivo, conforme o histórico de situação registrado pela Câmara. Licenças, suplências em espera (suplente que ainda não foi convocado), vacâncias e afastamentos não contam.
Dias decorridos é o tempo desde o início da legislatura até hoje (ou até o fim, se já encerrada). Para um mandato inteiro de 4 anos (1.460 dias), o piso seria de aproximadamente 8 meses em exercício efetivo (243 dias). Abaixo disso, a amostra de votos, presenças e proposições é pequena demais pra suportar comparação justa com mandatos completos.
Suplentes recém-convocados, deputados que assumiram tarde, cassados precoces ou parlamentares afastados pra ocupar cargo no Executivo costumam cair nesse grupo. Quem fica abaixo do piso é excluído das listas de melhores e piores, mas mantém ficha individual com nome, foto e partido. A ficha mostra os dados que existirem com a marcação de insuficiência.
Exceção: parlamentares com situação de Cassado, Suspenso, Renunciou ou Falecido sempre aparecem nas listas, mesmo abaixo do piso. A informação de quem perdeu o mandato (e por quê) é relevante para o eleitor independente do tempo de exercício.